16 de abril de 2018

As falsas novidades nos partidos políticos

Por Renata Cabrera*

Não é de hoje o desgosto do povo brasileiro com a política partidária. Esse sentimento é bem anterior aos escândalos de corrupção institucionalizada que o país assiste depois de 2003

Bandeira do Brasil (Imagem: Internet)

Bandeira do Brasil (Imagem: Internet)

É verdade que o governo lulo-dilma-petista fez alvoraçar o asco, a repulsa e a desconfiança de boa parte da população, o que contribui ainda mais para o descrédito que se vê hoje em dia quando o assunto é partido político.

Fazer política partidária nunca foi questão simples, pois nessa atividade humana se misturam todos os tipos de pessoas, as bem-intencionadas, que pensam no coletivo, e aquelas cujo interesse individual e de grupelhos é o mote de suas ações.

Se a realidade pudesse ser fragmentada em duas partes, como fazem os maniqueístas, nesse emaranhado que é a dinâmica partidária, é possível formar os grupos dos crentes e dos arrivistas, termos cunhados pelo teórico Angelo Panebianco, em seu livro sobre modelos de partidos. Os primeiros são aqueles que estão no partido pelo projeto que este defende para a sociedade, não subordinando suas ações ao pragmatismo do resultado eleitoral. Os arrivistas, por sua vez, centram seus esforços nos resultados que saem das urnas e no poder a qualquer custo.

Estariam os arrivistas totalmente errados, em pensar nos votos que se espera receber? A lógica diz que não, afinal é o desempenho eleitoral que mede a força, o poder, o tempo de TV e a verba do fundo partidário que cada agremiação terá. A sobrevivência do partido, no atual sistema político-partidário brasileiro, depende destes elementos.

Por sua vez, seriam os crentes utópicos, equivocados e idealistas em pensar no programa ideológico partidário? Evidentemente que não, pois ele serve para explicitar o que cada partido defende como projeto para a sociedade, ou seja, a referência que pode balizar a escolha consciente pelo eleitor dos seus representantes e contribuir com a superação da situação do voto, muitas vezes encontrada, como mera moeda de troca e de barganha.

Pois bem! A disputa entre crentes e arrivistas é comum nos partidos que ainda conseguiram guardar um pouco do que um dia foi seu programa partidário. Em outros sequer esse debate é travado, pois o pragmatismo puro e aplicado pela busca de mais votos, a qualquer custo e preço, é o que prevalece.

Tive engajamento político desde jovem, no movimento estudantil, no movimento docente e também na política partidária.

Posso afirmar que grande ensinamento me trouxe a vivência em um partido, apesar de nunca ter disputado cargo eletivo, pois estive sempre no grupo dos crentes.

O conhecimento adquirido nessa vivência partidária permitiu a compreensão de que nem sempre a gente ganha nas disputas que se trava dentro de um partido e que é muitas vezes a voz do pragmatismo do voto pelo que voto que sai vitoriosa. Isso, por si só, desvirtua a essência dos partidos, que acabam por se constituírem em meras siglas.

Desde 2013 a sociedade vem evidenciando que está ultrapassada essa forma de fazer política, que os partidos precisam se reinventar.

No Brasil, na ânsia de sobreviverem e se conectarem com as demandas do povo, muitos partidos mudaram de nome, novos surgiram e alguns agrupamentos com movimentos organizados da sociedade civil, que se intitulam livres e independentes, despontaram como salvadores da pátria. O pessoal desses movimentos é avesso à política partidária, mas chegam aos partidos até como interventores para buscar o poder que a luta dos movimentos não lhes dá.

À primeira vista, pareceu louvável o interesse e inserção de parcela da população que antes não adentrava na vida orgânica partidária, pois sentiam, em muitos casos, repulsa mesmo, intransigência com o seu modus operandi.

No entanto, um olhar mais preciso e crítico encontrará práticas nada inovadoras e democráticas, em muitos casos dessas novas configurações e agrupamentos.

Neófitos em política, muitos representantes desses movimentos elegem um partido-alvo e executam suas ações valendo-se, em muitas situações, de estratégias duvidosas e autoritárias. Mesmo com o discurso da nova cara da política acabam se valendo na prática de ações que não rompem com o atual cenário do fazer política e para o qual se apresentam como solução.

Esses neófitos já chegam com o pensamento velho, o de conseguir desempenho eleitoral a qualquer custo, de olho no fundo partidário. São os novos arrivistas que agora chegam e que, se possível, queimam na fogueira os crentes que ousam a resistir.

Nesse quadro, pouca alteração real se verá, o que exigirá da população, cada vez mais, a separação do joio e do trigo.

O problema não está na política partidária, mas nas escolhas que temos feito.

Aos poucos a história vai mostrando quem é quem na ordem do jogo político e desvelando as reais intenções daqueles que se propõem a ser nossos representantes.

Por isso, mais do que nunca, é tempo de observarmos e ajudarmos a história a expurgar os que se configuram como meros arrivistas que estão na busca do poder pelo poder.

Que os partidos políticos precisam se reinventar isso não há dúvida! Mas virá dessa configuração de um novo que já nasce velho a solução para a crise partidária?

Renata Cabrera (Foto:Divulgação)

Renata Cabrera (Foto:Divulgação)

*Renata Cabrera é doutora em Educação para a Ciência, professora da UFMT e ex-membro da Direção Nacional do PPS.

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Um Comentário em “As falsas novidades nos partidos políticos

ROBERTO
16 de abril de 2018 em 19:59

Parabéns pelo comentário e por trazer a verdade. Espero que você seja uma candidata este ano e que faça pelo povo o que nossos políticos de hoje não fazem.

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