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Zilebesiran: quando a ciência “silencia” a hipertensão e o que isso pode mudar no nosso futuro

Olá sapiens!

A hipertensão arterial continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no mundo é silenciosa, progressiva e diretamente ligada a infarto, AVC (derrame), doença renal crônica e às complicações da síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CKM). Apesar de termos bons medicamentos, um problema persiste: a dificuldade de adesão ao tratamento diário.

É nesse cenário que surge uma inovação que parece saída de um capítulo de medicina do futuro: o zilebesiran, uma terapia baseada em RNA interferente (RNAi), ainda em investigação, que atua “desligando” a produção de angiotensinogênio no fígado: a molécula mais inicial do sistema renina-angiotensina-aldosterona, responsável por regular a pressão arterial.

Em termos simples, em vez de bloquear apenas uma etapa da cascata hormonal, a estratégia atua na origem do processo.
O que torna essa abordagem diferente?

O grande diferencial do zilebesiran é sua ação prolongada. Uma única aplicação subcutânea pode manter redução da pressão arterial por até seis meses. Isso abre uma perspectiva especialmente interessante para pacientes que têm dificuldade em manter o uso regular de comprimidos ou que apresentam controle instável da pressão.

Nos estudos clínicos de fase 2, a medicação demonstrou reduções relevantes da pressão sistólica, na faixa de 12 a 16 mmHg, tanto isoladamente quanto associada a medicamentos tradicionais como diuréticos, bloqueadores de canal de cálcio e antagonistas do sistema renina-angiotensina.
Além disso, o perfil de segurança observado até agora tem sido favorável, com efeitos adversos geralmente leves e transitórios.
Ainda não é hora de substituir o tratamento atual

É importante destacar que o zilebesiran ainda não está aprovado para uso clínico pelo FDA nem por outras agências regulatórias. Os dados disponíveis são promissores, mas ainda faltam estudos de longo prazo que confirmem segurança cardiovascular, especialmente em situações como desidratação, infecções graves ou diferentes padrões alimentares.

Por enquanto, deve ser visto como uma possível terapia complementar no futuro e não como substituto das estratégias consagradas.
Uma mudança de paradigma no combate à hipertensão

Se confirmado em estudos maiores, o conceito por trás do zilebesiran pode representar uma mudança profunda: sair do modelo de tratamento baseado apenas em comprimidos diários para um controle mais contínuo e previsível da pressão arterial.
Isso tem implicações importantes, principalmente quando pensamos na prevenção integrada, proteger simultaneamente coração, rins e metabolismo, reduzindo o impacto global da CKM.

O que isso significa para as pessoas hoje?
Mais do que a chegada de uma nova tecnologia, o avanço reforça uma mensagem essencial: a hipertensão é tratável, e a ciência continua evoluindo para facilitar o cuidado. No entanto, nenhum medicamento substitui os pilares fundamentais: alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento médico.

A medicina caminha para ser cada vez mais precisa e personalizada. E talvez, em um futuro próximo, controlar a pressão arterial seja tão simples quanto uma aplicação periódica com impacto real na longevidade e na qualidade de vida.

Cuide-se!

DivulgaçãoZilebesiran: quando a ciência “silencia” a hipertensão e o que isso pode mudar no nosso futuro

Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida

Luiz Guilherme Camargo de Almeida
Departamento de Hipertensão Arterial em Alagoas da Sociedade Brasileira de Cardiologia
Médico Titulado em Nefrologia e Medicina Interna
CRM AL l 6134 Títulos AMB: 100607 e 221744

Zilebesiran:  quando a ciência “silencia” a hipertensão e o que isso pode mudar no nosso futuro

Luiz Guilherme Almeida

Saúde e Bem-estar Luiz Guilherme Almeida (CRM/AL 6134 | RQE 3731) Atualmente é Presidente da Regional Alagoas da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, conselheiro regional de medicina em Alagoas CREMAL (2018 a 2023 / 2023 a 2028), associado n 28523 da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Diretor Sócio Cultural e Intercâmbio (2020 a 2023) e Conselheiro Científico (2023 a 2026) da Sociedade de Medicina de Alagoas (SMA - AMB-AL), federada à Associação Médica Brasileira. Consultor Científico do Instituto Mundaka, para estudo de terapias com cannabis medicinal e fármacos psicodélicos. Tem experiência em terapia intensiva, área que atua desde 2002, e Nefrologia com ênfase em Hipertensão Arterial e Doença Renal do Diabetes. Ambulatório de Nefrologia e Hipertensão do Hospital do Coração Alagoano Professor Adib Jatene, CEO da W Life sapiens center, representante de Alagoas no Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia DHA SBC (2020 a 2024). Possui Título de Especialista em Nefrologia pela Sociedade Brasileira de Nefrologia SBN/AMB e em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica SBCM/AMB.

Um Comentário em “Zilebesiran: quando a ciência “silencia” a hipertensão e o que isso pode mudar no nosso futuro

Olga Nobre
24 de fevereiro de 2026 em 13:38

Parabens!! Excelente notícia, muito boa matéria!
Que a pesquisa tenha sucesso para o bem dos hipertensos, diabéticos e/ou com problemas renais.

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