5 de julho de 2018

A Doença Renal Crônica gera prejuízos psicológicos e psiquiátricos ao indivíduo

Problemas psicológicos e distúrbios psiquiátricos são muito comuns em doentes renais crônicos

No último encontro entre o nefrologista Luiz Guilherme Camargo de Almeida e o psiquiatra Emmanuel Fortes, pontos delicados foram abordados.

Drs. Emmanuel Fortes e Luiz Guilherme Almeida

Drs. Emmanuel Fortes e Luiz Guilherme Almeida

Luiz Guilherme: A taxa de mortalidade em doentes renais crônicos é 20 vezes maior que a população geral, dados clássicos norte-americanos mostravam que 1 a cada 500 pacientes em diálise cometiam suicídio, há ainda mortes causadas por suicídio involuntário como: imprudência dietética, não adesão à terapia medicamentosa, interrupção precoce das sessões de diálise e outros comportamentos não cooperativos.

Emmanuel Fortes: A raiva é comum entre os pacientes que sofrem de doença crônica, é importante que a equipe de saúde não se irrite com comportamentos raivosos, as queixas devem ser atenciosamente acolhidas, mas claro, comportamentos que podem levar perigo ao paciente, aos outros pacientes ou à equipe de saúde não devem ser tolerados. Pacientes com psicose concomitante a outras doenças crônicas podem apresentar tal comportamento, a ajuda de um médico psiquiatra nesses casos é valiosa.

Luiz Guilherme: Um estudo da Dra. Sibela Vasconcelos Andrade e colaboradores, sobre desesperança e ideação suicida, publicado no Jornal Brasileiro de Nefrologia, mostrou que 4% dos pacientes em hemodiálise tem ideação suicida, a desesperança atinge 2% e até 20% apresentaram sintomas depressivos. O nefrologista deve abordar o paciente e acionar uma discussão familiar o quanto antes.

Emmanuel Fortes: Outro problema grave tem caráter social, mas com grande impacto no campo psicológico, é a reabilitação profissional e social desses pacientes. Mais de dois terços dos pacientes em diálise não retornam ao emprego que se encontravam antes do aparecimento dos sintomas da doença renal. O problema se agrava quanto pior a condição socioeconômica do paciente e o quanto de exigência física sua tarefa anterior o exigia. O assistencialismo social típico do Brasil sobrepõe-se às tentativas de reabilitação profissional o que onera ainda mais o contribuinte e piora a desesperança.

Luiz Guilherme: A prevenção desses distúrbios sociais, psicológicos e psiquiátricos está intimamente ligada ao tratamento adequado da doença renal e vice-versa. Pacientes adequadamente dialisados com prescrições medicamentosas adequadas e orientações continuadas apresentam menos complicações físicas e emocionais.

Emmanuel Fortes: Muito pode ser feito pra prevenir problemas psicológicos que frequentemente se apresentam em pacientes crônicos. Equipe multidisciplinar atenta, unida e proativa é fundamental para qualidade de vida dessas pessoas. Trabalho em equipe é mais saúde, é mais vida.

*Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida (CRM/AL 6134 | RQE 3731)
É formado em Presidente Prudente/SP, em 2001, com especialização em Nefrologia pela Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência de São Paulo/SP, e título de especialista pela SBN/AMB.
*Psiquiatra Emmanuel Fortes é coordenador do Departamento de Fiscalização de Medicina e da Câmara Técnica de Medicina do Esporte, do Conselho Federal de Medicina (CFM)

Gigi Accioly

HolofoteJornalista (MTB 1468AL), apresentadora de TV, programa Gente em Evidência, exibido pela TV Alagoas (SBT), colunista social do Jornal Primeira Edição (impresso), editora-chefe e colunista da Revista Evidência Cosmopolita (AL), Colunista da revista evidencia.com (EVDCIA), diretora de planejamento da Comunicação Hoje e da Tehron - Núcleo de Comunicação; publicitária, assessora de comunicação, cerimonialista e mestre de cerimônias. Colunista do extinto portal Ciro Batelli – Unique Style (SP e Las Vegas). Membro do Conselho Deliberativo da Febracos – Federação Brasileira de Colunistas Sociais; diretora de divulgação da Soamar/AL. - Sociedade Amigos da Marinha; Diretora Regional em Alagoas da MBA - Mídia Brasil Associados.

Um Comentário em “A Doença Renal Crônica gera prejuízos psicológicos e psiquiátricos ao indivíduo

LUIZ CARLOS BARNABE DE ALMEIDA
6 de julho de 2018 em 14:43

Parabéns pela visão holística destes dois médicos especialistas. São profissionais desta qualidade que o Brasil necessita para enfrentar as dificuldades na área da saúde.

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