28 de setembro de 2020

Professor da UERJ e Cofundador do O.C.I. dá Entrevista Exclusiva

Cofundador do O.C.I. Fala de vários temas relevantes em tempos de pandemia

Manoel Marcondes Neto
   Manoel Marcondes Neto é Pós-doutor em Cultura pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Professor associado da Faculdade de Administração e Finanças da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Cofundador do Observatório da Comunicação Institucional.
  
  No intuito de dar solidez às marcas e estabelecer uma comunicação una e compreensiva entre organizações, imprensa e sociedade, privilegiando sempre o cidadão – que merece uma informação de caráter institucional honesta, íntegra, e que não o induza a erros de julgamento, o Professor deu uma entrevista com exclusividade falando sobre vários temas. 
Observatório da Comunicação Institucional
 
 
    No início de sua exposição, Marcondes Neto destacou a importância da criação e da oportunidade de existência de um espaço para reflexão sobre as práticas da comunicação em nosso país e em toda a comunidade lusófona – onde o problema de distinção entre uma comunicação institucional e uma comunicação mercadológica se avulta. 
 
   Para o Professor e Cofundador do O.C.I. , o jornalismo, a propaganda e as relações públicas trazidos a um debate permanente sobre melhores práticas. As causas que o O.C.I. (uma sociedade educativa sem fins lucrativos) advoga exprimem nossa missão: Transparência Ativa, Comunicação Pública, Jornalismo Responsável, Propaganda com Ética e Educomunicação para a Cidadania. E o nosso lema instiga: ‘muito além do discurso’, explicou Marcondes Neto. 
  
Da função do O.C.I. em relação às empresas públicas e privadas 
 
   De acordo com o professor, o objeto do O.C.I. é a governança e nosso alvo é o indivíduo em seu meio de exercício intelectual e profissional. Assim, com nossas atividades, pretendemos auxiliar pessoas no exercício e desenvolvimento de suas atividades, seja no meio público, no meio privado, ou no Terceiro Setor. Nosso ‘slogan’ remete à nossa visão: ‘organizações melhores: mundo melhor’. 
 
Eleições em meio à pandemia no Brasil 
  
   Na avaliação do professor, a questão eleitoral sempre foi um dos objetos de estudo no O.C.I. Desde o pleito de 2014 vimos fazendo avaliação do discurso institucional de partidos e de coligações eleitorais no país. Neste ano, momento de eleições municipais, não será diferente – apesar da pandemia de Covid-19. 
 
Perspectivas do O.C.I. em meio à pandemia 
 
   Para Marcondes Neto, enquanto organização, foi perdida a chance das ‘Jornadas O.C.I.’, “que são eventos presenciais que  são realizados nos vários estados do Brasil. Contudo, segundo o Professor como um portal –  a principal ‘janela’ para o mundo – nunca parou e, pelo contrário, até cresceram em número de colaboradores”. 
 
O O.C.I. e as plataformas digitais 
 
   Segundo o Professor, o Observatório da Comunicação Institucional nasceu – em 2013. O Professor ressalta que, o portal, é atualizado diariamente, e tem conseguido manter boa presença, sempre a partir do trabalho de voluntários, nas redes sociais como: Facebook, LinkedIn, Instagram, Twitter e YouTube. 
 
Das aulas nas faculdades em meio à pandemia 
 
  Conforme o professor as aulas têm se dado de maneira Remota. De acordo com Marcondes Neto, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ele leciona, criou um ambiente virtual para aprendizagem que está funcionando bastante bem. Não é a mesma coisa do ensino presencial, mas é o que temos que fazer diante da atual contingência. 
 Fake news
    Para o professor, desde 2017 ele vem debatendo o tema. Segundo Marcondes Neto, naquele ano, em que ‘fake news’ ocuparam o espaço do debate (para não mais sair, aliás), duas jornalistas que vieram a fazer parte do O.C.I. propuseram a discussão. 
  
 De acordo com Marcondes Neto, enquanto ONG, o O.C.I. realizou uma assembleia e decidiu, então, adotar duas novas causas; o Jornalismo Responsável e a Propaganda com Ética, justamente porque o novo fenômeno abala ambas as atividades, ambos os setores. 
 
  Segundo Marcondes Neto, em uma primeira aproximação, o foco deve ser dirigido à mídia profissional. Foi a ela que Donald Trump se referiu em 2016, ainda em campanha, atribuindo o jargão ‘fake news’. Como ex-anunciante, ele sabe do que trata. 
 
   Na avaliação do Professor, o problema, no Brasil, é que os holofotes se voltaram a blogueiros e particulares – indivíduos e grupos – atribuindo a boatos e maledicência o rótulo ‘fake news’; algo que, substancialmente, nem ‘news’ constituem. 
 
  Marcondes Neto ressalta que impressiona o nível de desconhecimento do assunto entre os membros do Poder Judiciário e membros da CPMI especialmente aberta no Congresso Nacional, onde não se pode afirmar quem desconhece mais a matéria – se os inquiridos ou os que inquirem. 
 O que pensa sobre ‘fake news’
 
   Marcondes Neto destaca que o fenômeno das “fake news” precisa ser mais estudado e, como má prática, ou crime, precisa ser tipificado. Mas, vamos lá, tentativamente. Uma pessoa particular escrevendo sandices – com mais ou menos criatividade, com mais ou menos verossimilhança a fatos – e compartilhando-as com seus relacionados, em minha opinião, não pode ser considerado ‘fake news’. O mesmo acontece com alguém que, desavisadamente ou não, repassa mensagens adiante – mesmo que contenham inverdades sobre fatos ou terceiros. Particulares não têm o condão de emitir ‘news’. 
 
    Para o Professor quando se trata da mídia profissional e de profissionais da mídia, o ideal seria um código de autorregulamentação – como existe na propaganda (o CONAR). Os veículos de imprensa começaram a fazer isso no início do fenômeno, mas depois terceirizaram a função a colegas de fora da Redação – os quais divisaram um novo ramo lucrativo de atividade: o ‘fact checking’. Como um negócio, o ‘fact checking’ perde credibilidade, por motivos óbvios. E voltamos à estaca zero. 
 
    Na avaliação do Professor o tema é algo que tem sido pouco debatido é o fenômeno de ‘monetização’ das redes sociais e seu uso para fins político-eleitorais. Termos como ‘impulsionamento’ e ‘posts turbinados’ – estranhos à atividade publicitária regulamentar – foram introduzidos sem regulação, num modelo intitulado ‘mídia programática’ – território onde tudo pode acontecer, randomicamente, inclusive crimes em geral. E crimes eleitorais, em particular. O escândalo da Cambridge Analytica (LINK), que atingiu o Facebook em cheio, é exemplar. 
 
Caminhos para o combate às ‘fake news’ 
    Na opinião do Professor, no processo político-eleitoral brasileiro só há um modo de minimizar a propagação de ‘fake news’: tirar ‘do ar’ o WhatsApp e similares durante os 45 dias de campanha. 
 O jornalista dentro da atual conjuntura de pandemia no tocante a desinformação

 

    Para Marcondes Neto, um dos valores primordiais de formação do jornalista é a checagem de fontes, a apuração de fatos. Por exemplo, uma fala de alguém sobre um terceiro implica, necessariamente, a ausculta do terceiro mencionado para coleta do contraditório. Sem isso, o trabalho fica capenga, tendencioso. E o leitor, ouvinte, telespectador ou internauta, percebe isto.  
Importância da liberdade de imprensa, liberdade de expressão e de informação
 
   Segundo o Professor a importância da liberdade de imprensa, liberdade de expressão e de informação são primordiais. Ressaltou Marcondes Neto que em regimes democráticos, liberdade de expressão, de imprensa e de informação são direitos fundamentais.  
O que contribui para a desinformação no Brasil?
 
    Para o Professor, a baixa escolaridade, o desinteresse por política e a ignorância (tanto a natural quanto a fabricada). 
 
O que muda na comunicação em geral com a pandemia?  
   Para o professor,nada, essencialmente.  
O senhor lançou um e-book recentemente. Quais são as suas expectativas? 
    O Professor ratifica que lançou e-book e informa que o título da obra é ‘8 Rs da Comunicação Funcional 720 graus: instrumental para uma governança transparente’. O formato e-book é uma demanda dos novos tempos, bem como a distribuição gratuita de conteúdo afirma Marcondes Neto.  
   Segundo o Professor, o livro reflete as preocupações dele quanto a formação de pessoal de comunicação num contexto de cada vez mais interesse dos gestores para com a nossa área, nossas habilidades e competências. 
  
Baixe o e-book gratuitamente por meio do link: e-book
 
Instagram: @joaocostaooficial

João Costa

Jornalista (MTB 87452/SP), Articulista do Instituto Palavra Aberta, integrante do Observatório da Comunicação Institucional (O.C.I), Membro da API (Associação Paulista de Imprensa), Prêmio Ibero – Americano de Jornalismo de 2019/20, Prêmio Direitos Humanos por reportagem feita para o Instituto Dana Salomão e Menção honrosa do Lions Clube Rio do janeiro. Colunista, Blogueiro e Comunicador. Desenvolve há anos um trabalho com o propósito humanitário por meio do que cunha chamar de: "Filosofia da Evolução das Relações Humanas”. Redator responsável e Colunista do Portal FaceTV Brasil; Colunista do Portal da Bahia Jack Comunica, Colunista do jornal “Em Destaque”, do Estado do Rio de janeiro. Foi colunista da "Rede de Escritores de Língua Espanhola". Possui sólidos conhecimentos na edição de textos, é ativista pelos direitos humanos, pela proteção dos animais e no combate a desigualdade social. Participação ativa em Workshops, congressos e conferências.

2 Comentários em “Professor da UERJ e Cofundador do O.C.I. dá Entrevista Exclusiva

Marcondes Neto
30 de setembro de 2020 em 23:31

Oportunidade única esta entrevista a João Costa, jornalista que admiro há muito tempo.

Responder
João Costa
1 de outubro de 2020 em 17:11

A gratidão é toda minha prezado, Professor, Manoel Marcondes Neto!! A admiração é de muito tempo e recíproca em relação a vossa pessoa. Ter entrevistado o senhor foi uma experiência única, pois permitiu-me crescer ainda mais enquanto profissional! Sem falar que propiciou-me difundir “boas novas” com relação ao segmento de comunicação e sobre o Observatório da Comunicação Institucional (O.C.I.).

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