9 de novembro de 2020

Agulhadas só com médicos

Presidente do CMBA reafirma o alerta para a importância da especialidade médica na prática da acupuntura

Imagem: Getty Images. iStockphotoAgulhadas só com médicos

Agulhadas só com médicos

Agulhadas só com médicos

Já se vão quase 20 anos de discussão sobre quais profissionais podem exercer a acupuntura. De um lado o Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou que acupunturiatras especializados, dentistas e veterinários, cada qual em sua área de atuação, estão habilitados a praticá-la por se tratar de um procedimento médico. No entanto, de outro entidades que representam várias outras profissões que se aventuram na prática alegam estarem aptas, atuando deliberadamente, pondo em perigo o paciente e faltando com a ética profissional. O alerta é do presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), Dr. Fernando Genshow.

De acordo com o Acupunturiatra, por mais que esse método terapêutico tenha se popularizado no país, é um grande equívoco associar a acupuntura a uma imagem holística, transcendental, espiritual, como às agulhinhas do bem, que promoveriam a sensação de bem-estar e relaxamento igualmente à uma massagem. “Infelizmente, a essência da acupuntura, que é a inserção de agulhas no corpo para promover a saúde e tratar dores, várias doenças e disfunções orgânicas, como neurológicas, ortopédicas, respiratórias, tendo papel importantíssimo na prevenção e também como coadjuvante no tratamento oncológico e no pós cirúrgico, está distorcida”, afirma o presidente.

Segundo ele, a prática vem sendo constantemente associada, de forma absurda ao bem-estar ou até mesmo a uma espécie de ‘spa’ para que as pessoas possam relaxar. “É importante que todos saibam que o método só pode ser exercido por médicos, justamente porque através de um diagnóstico é que entra a acupuntura, prevenindo e tratando a dor, repito, tendo um papel importantíssimo na prevenção”, enfatiza Genshow.

Ele ressalta ainda que todos os profissionais que não sejam acupunturiatras, dentistas ou veterinários e atuam com o respaldo de seus respectivos conselhos estão extrapolando suas funções. “A acupuntura não é só colocar agulhas. O objetivo é atingir inervações específicas. Antes de tudo tem que ter um diagnóstico de doença. Depois, um prognóstico e, por último, uma intervenção invasiva”, explica.

Munido de um dossiê de complicações causadas por acupuntura, o acupunturiatra alerta que existem as reações leves, como tontura, vertigem, sudorese e síncope (desmaio), mas também as graves, como perfuração de tecidos, nervos, pulmão, sangramentos, infecções bacterianas e virais que podem causar endocardite (no coração), além de transmissão de hepatite B e C, HIV e até levar o paciente ao óbito. “Estamos falando de vidas e isso é o que mais importa”, conclui.

Acupuntura no Brasil
No Brasil, os Conselhos Profissionais como o de Fisioterapia, Psicologia, Biomedicina, Farmácia, Educação Física, Enfermagem haviam reconhecido a acupuntura como algo que seus profissionais pudessem fazer. No entanto, o entendimento jurídico disse que não, e os profissionais foram proibidos de praticar acupuntura, pois exercer ato invasivo é prerrogativa do médico.

De acordo com o Genschow, no Brasil são cerca de 4 mil titulados e especialistas devidamente reconhecidos pela Associação Medica Brasileira (AMB), sendo que o número de acupunturiatras é maior que o de oncologistas, pneumologistas e mastologistas. Estima-se que há 160 mil pessoas, entre técnicos de saúde e profissionais da área da fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, farmácia, biomedicina, enfermagem e educação física atuando sem o respaldo de seus Conselhos de Profissão e jurídico, pois não há lei que regulamenta a acupuntura. “Para agravar mais ainda o cenário, leigos sem qualquer formação, inclusive do Ensino Fundamental, atendem pacientes Brasil afora”, revela o presidente, acrescentando que essa premissa equivocada tem transformado leigos em doutores, colocando em risco pessoas que desavisadas se utilizam dos serviços de pseudo-médicos.

Segundo o Fernando Genschow, há o discurso “acupuntura livre” e “acupuntura para todos” que visam convencer dirigentes, políticos e alunos interessados em fazer acupuntura. O discurso de que na China, berço da Medicina Tradicional, qualquer um poderia praticar acupuntura é amplamente divulgado, mas falta verdade no anúncio. “Apenas quem faz formação médica pode exercer Medicina Tradicional Chinesa, incluindo a acupuntura”, esclarece.

Para ele, em verdade, a medicina tem sido invadida por quem quer um atalho, os que querem realizar procedimentos como injetar botox e outras substancias cosméticas sem serem dermatologistas ou cirurgiões plásticos. Há os que ousam realizar rinoplastia (correção estética do nariz) sem nem ter conhecimento ou familiaridade com a anatomia. Consequência? Erros, mutilações, vidas interrompidas por inconsequentes que desejam atuar como médicos.

“Todos os médicos são submetidos e regulados pelo Conselho Federal de Medicina, podendo ser autuados caso não cumpram as exigências preconizadas. A acupuntura livre, sem formação médica, é receita para o desastre”, afirma o presidente do CMBA.

Agulhadas só com médicos
Fonte: Contextual Comunicação – Diana Campos 

Gigi Accioly

Holofote @gigiaccioly - Jornalista (MTB 1468AL), apresentadora de TV, programa Gente em Evidência, exibido pela TV Alagoas (SBT), colunista social do Jornal Primeira Edição (impresso/online), editora-chefe e colunista da Revista Evidência Cosmopolita (AL), Colunista da revista evidencia.com (EVDCIA), diretora de planejamento da Comunicação Hoje e da Tehron - Núcleo de Comunicação; publicitária, assessora de comunicação, cerimonialista e mestre de cerimônias. Diretora de divulgação da Soamar/AL. - Sociedade Amigos da Marinha; Diretora Regional em Alagoas da MBA - Mídia Brasil Associados. Colunista do extinto portal Ciro Batelli – Unique Style (SP e Las Vegas), associada da Febracos – Federação Brasileira de Colunistas Sociais.

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