10 de setembro de 2021

UMA BOA NOITE DE SONO

 

UMA BOA NOITE DE SONO

UMA BOA NOITE DE SONO

A agropecuária é uma das principais atividades econômicas do país e está presente em todos os municípios brasileiros. Sua produção alimenta a população de mais de 100 países mundo a fora e é fonte de renda de muitas famílias, dos pequenos produtores aos grandes grupos agroindustriais. Toda essa riqueza, porém, tem algumas particularidades que a torna extremamente vulnerável às intempéries climáticas, agronômicas, zootécnicas, sanitárias e aos acordos geopolíticos-econômicos entre nações.

Em 2021, problemas com a estiagem nos grandes centros produtores de grãos e depois a forte geada que atingiu as lavouras do Sul e Sudeste provocaram grandes perdas para os produtores. O milho, umas das principais culturas do Brasil, deve acumular quebras de até 25% na produção devido à seca. Café e cana de açúcar também terão prejuízos significativos devido às geadas.

Na pecuária de corte, somente a possibilidade de uma crise sanitária foi o suficiente para derrubar as cotações da arroba e impactar na bolsa de valores, o tal do mercado futuro. Até que tudo venha as claras, e certamente virá, as incertezas vão influenciar nas negociações em plena entressafra, quando geralmente os preços deveriam ficar valorizados devido à menor oferta de animais.

Seja na lavoura ou no pasto, os riscos para os negócios do campo precisam ser considerados na hora do planejamento e buscar ferramentas que protejam, se não a totalidade pelo menos parte da produção, é imprescindível.

Uma análise recente da Neo Agro mostra que a desvalorização do preço da arroba neste momento poderá trazer prejuízos maiores do que os provocados pela crise sanitária de 2019, afinal a expectativa para este segundo semestre era de alta nas cotações e os produtores estavam contando com essa rentabilidade. Muitos investiram no confinamento, por exemplo, que tem elevado custo de produção e cada real de desvalorização impacta diretamente no resultado final.

Na agricultura, o número de apólices do seguro agrícola em 2015 totalizou 39 mil, ano passado este número saltou para 189 mil. A área passou de 5 milhões de hectares para 13 milhões no mesmo período. Mesmo assim é muito pouco. Somente 20% estariam segurados, isso sem considerar os outros cultivos além dos grãos.

Parece brincadeira. Em pleno 2021, no Brasil – o celeiro do mundo, falar de hedge, seguro de preço, travamento, opções ou qualquer outro nome que queiram dar. Essa ferramenta deveria fazer parte do dia a dia do empresário rural, tecnificado e produtivo.

O fato é que sim, a proteção de preço existe, é acessível a todos e acreditem, funciona!

A atividade agropecuária é arriscada por essência. Não aderir a ferramentas para mitigar esses riscos é o mesmo que especular com o patrimônio e pode representar o fim dos frutos do trabalho de uma vida toda. É melhor continuar produzindo e deixar as emoções para os aventureiros.

Afinal, quanto vale uma boa noite de sono?

UMA BOA NOITE DE SONO
por Luciano Vacari

Luciano Vacari

Agronegócios Gestor de agronegócios especialista em Relações Institucionais e Governança, é diretor e fundador da Neo Agro Consultoria, atua na liderança de importantes projeto do agribusiness nacional, com trânsito político e técnico entre os agentes das principais cadeias produtivas brasileiras. Contato: vacari@neoagroconsultoria.com.br Brasília-DF

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